{"id":200,"date":"2013-01-03T10:37:43","date_gmt":"2013-01-03T10:37:43","guid":{"rendered":"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/?p=200"},"modified":"2013-01-18T00:41:00","modified_gmt":"2013-01-18T00:41:00","slug":"cerebro-uma-super-rede-de-pequenas-redes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/2013\/01\/cerebro-uma-super-rede-de-pequenas-redes\/","title":{"rendered":"C\u00e9rebro, uma super rede de pequenas redes."},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/ho_myfate9.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-211\" title=\"HoMyfate9\" src=\"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/ho_myfate9.jpg\" alt=\"HoMyfate9\" width=\"300\" height=\"120\" \/><\/a><\/p>\n<p><em><strong>{<\/strong>in<strong>\u00a0Ensaio: Redes, Ritmos, Sincronia e Sinergia<span style=\"color: #ff0000;\">*<\/span>}<\/strong><\/em>\u00a0Vivemos numa idade das redes [Sporns]. Mais do que evidenciar este postulado poderia propor que vivemos numa era que em finalmente come\u00e7amos a entender que vivemos baseados em redes, e mesmo que a evolu\u00e7\u00e3o do homem e dos sistemas que o suportam dependem destas.<\/p>\n<p><!--more-->A import\u00e2ncia das redes tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o de longa data nas ci\u00eancias sociais onde se tentado tenta perceber atrav\u00e9s de an\u00e1lises quantificativas padr\u00f5es de comportamento e de rela\u00e7\u00f5es entre humanos e entre grupos, os ecossistemas, as sociedades ou a economia global, mas tamb\u00e9m, mais recentemente, nas ci\u00eancias naturais, com particular foco nos sistemas biol\u00f3gicos complexos, incluindo o c\u00e9rebro [Sporns].<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o da ci\u00eancias matem\u00e1ticas e engenharias inform\u00e1ticas, n\u00e3o s\u00f3 pelo facto de as redes computacionais serem o seu objecto principal de estudos e experi\u00eancias, mas tamb\u00e9m porque muitos cientistas viram a necessidade\u2014e perseguem e partilham essa ideia\u2014de propor um cruzamento transdisciplinar entre todas \u00e1reas que de alguma forma incutissem a quest\u00e3o de rede(s) no seu objecto de estudo, para que todas se compreendessem melhor a si mesmas e pudessem contribuir, dessa forma, para uma teoria mais geral e consensual.<\/p>\n<p>O c\u00e9rebro \u00e9 multi-sistema complexo cuja arquitectura assenta em m\u00faltiplos sistemas e camadas (grupos de neur\u00f3nios dedicados a certas rotinas ou fun\u00e7\u00f5es, como o sistema auditivo) ligados em rede, que comunicam entre si atrav\u00e9s de potenciais el\u00e9ctricos (sinapses) [Sporns]. Baseia-se, assim, numa rela\u00e7\u00e3o e interoperabilidade de micro-sistemas, constitu\u00eddos pelas c\u00e9lulas individuais e sinapses, e macro-sistemas consubstanciados pelo sistema cognitivo e a encarna\u00e7\u00e3o da cogni\u00e7\u00e3o. Este sistema e os seus processos podem ser encontrados em sistemas como as redes sociais que se sustentam necessariamente n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00f5es interpessoais, mas tamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es entre grupos, nas suas micro-ecologias e micro-economias e, de uma forma mais abrangente, numa macro-escala, entre pa\u00edses [Sporns].<\/p>\n<p>H\u00e1 m\u00e9todos matem\u00e1ticos quantitativos que t\u00eam ajudado a esclarecer a arquitectura em rede do c\u00e9rebro como a dos grafos, pois estes ajudam a conceptualizar a interconec\u00e7\u00e3o (arestas) e rela\u00e7\u00f5es entre os seus constituintes (n\u00f3s). As arestas representam as conec\u00e7\u00f5es (bin\u00e1rias) entre os n\u00f3s como a amizade entre pares [Sporns]. H\u00e1 grafos que estabelecem rela\u00e7\u00f5es entre si atrav\u00e9s de conec\u00e7\u00f5es bin\u00e1rias, mas tanto directas como indirectas, mas tamb\u00e9m por densidade (weight) [Sporns]. A densidade pode ser importante porque determina o grau de for\u00e7a que os n\u00f3s podem deter e este grau pode determinar a forma como os n\u00f3s se interligam e participam na ecologia das redes.<\/p>\n<p>Mas interessante \u00e9 a multiplica\u00e7\u00e3o de liga\u00e7\u00f5es (arestas) que se podem estabelecer em redes de m\u00faltiplos n\u00f3s (v\u00e9rtices). Uma rede de dois v\u00e9rtices liga-se atrav\u00e9s de uma aresta, uma rede de tr\u00eas por tr\u00eas, mas uma de quatro pode estabelecer cinco liga\u00e7\u00f5es. A f\u00f3rmula \u00e9 interessante at\u00e9 para as artes visuais pois relaciona-se com pol\u00edgonos (e poliedros, se a coloca\u00e7\u00e3o dos n\u00f3s for tridimensional). Um grafo completo de n v\u00e9rtices (n\u00f3s) n\u00f3s tem n(n-1)\/2 de arestas (liga\u00e7\u00f5es)\u2014(um n\u00famero triangular) e pode ser representado pela express\u00e3o K<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><sub>n\u00a0<\/sub><\/span>[Gries]. Assim um K3 = 3, um K4 = 6, mas um K7=21 ou um K11=55.<\/p>\n<p>{200 bili\u00f5es de conec\u00e7\u00f5es} Podemos agora, mais facilmente, entender que a liga\u00e7\u00e3o de 100 mil milh\u00f5es de neur\u00f3nios (10 \u00b9\u00b9) pode estabelecer um n\u00famero verdadeiramente extraordin\u00e1rio de conec\u00e7\u00f5es (sinapses). [Buzs\u00e1ki]<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na quantidade que o c\u00e9rebro se apresenta como extraordin\u00e1rio. O arquitectura deste \u00e9 inteligente porque para al\u00e9m da quantidade de neur\u00f3nios e liga\u00e7\u00f5es poss\u00edveis estes organizam-se em clusters, i.e, pequenas redes\u2014que s\u00e3o vistos como vantajosos para todo o sistema pois permitem uma organiza\u00e7\u00e3o local especializada e um sistema de conec\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rio optimizado\u2014e apesar do sistema de cluster possibilitar o ataque de agentes (podemos estabelecer um paralelo com o hacking nas redes computacionais) que podem levar a doen\u00e7as do tipo Alzeimer (que \u00e9 caracterizado por les\u00f5es localizadas em clusters cortinais) os estragos aleat\u00f3rios das colunas corticais nunca resultam na perda total de todas as faculdades , como a capacidade de reconhecer um determinado livro, um dedo, ou um familiar [Buzs\u00e1ki].<\/p>\n<p>Ou seja, um sistema acentrado, distribu\u00eddo, de constituintes traz v\u00e1rias vantagens e tamb\u00e9m estabelece um paralelo mais consistente com a conceptualiza\u00e7\u00e3o das redes neuronais, pois estas consistem &#8220;num conjunto de elementos, os neur\u00f3nios formais, e liga\u00e7\u00f5es sin\u00e1pticas, tamb\u00e9m chamadas de pesos, entre eles&#8221; [Machuco].<\/p>\n<p>O c\u00e9rebro pode ser entendido, assim, \u00e0 luz das aproxima\u00e7\u00f5es que a matem\u00e1tica tem feito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s redes computacionais, mas tamb\u00e9m, vice-versa, a internet (rede de redes\u2014as redes computacionais, e interliga\u00e7\u00e3o que a configura) t\u00eam tido uma evolu\u00e7\u00e3o que cada vez mais se aproxima do c\u00e9rebro, a um n\u00edvel que tem superado as expectativas mais optimistas.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o tem sido tal que h\u00e1 cientistas que estabelecem um paralelo cada vez mais consistente entre a internet e o c\u00e9rebro e prop\u00f5em mesmo que \u00e9 incontorn\u00e1vel a passagem desta a uma esp\u00e9cie de World Wide Brain [Goertzel].<\/p>\n<p>Assume-se tamb\u00e9m que a mente (mind) pode ser entendida, com um alto n\u00edvel de acuidade, como um sistema de algoritmos interactivos (ou algo-ritmos?) que assentam numa autopoiesis. Mas a ideia de uma evolu\u00e7\u00e3o &#8220;aut\u00f3mata&#8221; pode n\u00e3o depender de fen\u00f3menos j\u00e1 convencionados, mas de outros menos estudados ainda, como as oscila\u00e7\u00f5es e a sua rela\u00e7\u00e3o. Ou seja que estes constituintes podem contribuir com os ritmos espec\u00edficos para uma autog\u00e9nese ao longo de um percurso\u2014n\u00e3o necessariamente cronol\u00f3gico\u2014e que este processo configura a evolu\u00e7\u00e3o do sistema e dos seus constituintes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hor\u00e1cio<\/strong>\u00a0{Tom\u00e9 Marques}<br \/>\n<em>de Originais de 2010, 2011<\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">*<\/span>\u00a0Este texto \u00e9 parte integrante do Ensaio: Redes, Ritmos, Sincronia e Sinergia, publicado em julho de 2011, respondendo a uma necessidade program\u00e1tica da UC\u00a0<strong>Teoria da Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0integrada no ano curricular do\u00a0<strong>PDMD &#8211; Programa Doutoral em Media Digitais<\/strong>, programa que persigo h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>&#8230;..<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong>\u00a0{algumas importantes relacionados com estes par\u00e1grafos}<\/p>\n<p>&#8211; BUZS\u00c1KI, Gy\u00f6rgy (2006). <em>Rhythms of the Brain<\/em>. Oxford: Oxford University Press.<br \/>\n&#8211; GOERTZEL, Ben (1993). <em>The Structure of Intelligence: A New Mathematical Model of Mind<\/em>. New York: Springer-Verlag.<br \/>\n&#8211; GRIES, David; SCHNEIDER, Fred B (1993). <em>A Logical Approach to Discrete Math<\/em>. Springer-Verlag, p.\u00a0436.<br \/>\n&#8211; ROSA, A. Machuco (2007). <em>Dos Mecanismos Cl\u00e1ssicos de Controlo \u00e0s Redes Complexas<\/em>. (em linha, visitado a 5 de Maio de 2010: http:\/\/paginas.ulusofona.pt\/p138\/ArtigoPortoLigacoes.pdf).<br \/>\n&#8211; SPORNS, Olaf (2011). <em>Networks of the Brain<\/em>. London. The MIT Press.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>{in\u00a0Ensaio: Redes, Ritmos, Sincronia e Sinergia*}\u00a0Vivemos numa idade das redes [Sporns]. Mais do que evidenciar este postulado poderia propor que vivemos numa era que em finalmente come\u00e7amos a entender que vivemos baseados em redes, e mesmo que a evolu\u00e7\u00e3o do homem e dos sistemas que o suportam dependem destas.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200"}],"collection":[{"href":"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=200"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":218,"href":"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200\/revisions\/218"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/horacioarts.com\/aposteriori\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}